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13.3.12

Tô lendo Agosto, de Rubem Fonseca, e dei uma olhada em trechos da adaptação para a TV (minissérie) que a Globo fez em meados dos anos 90. A série é "fiel" e bem feita, com um ritmo pausado que dificilmente seria aceito hoje em dia. No entanto, ainda deixa muito a desejar em profundidade em relação ao romance. Que é o que normalmente se diz de adaptações de livros para os meios audiovisuais em geral.

Mas parece que Almodóvar consegue superar isso. Não estou falando de adaptações, é que seus filmes lembram livros, no bom sentido (se é que há um mau). É um escritor que filma. Ou alguém duvida que Fale com Ela, por exemplo, não daria um belo livro?

Ele nos proporciona, com imagens, a sensação de que estamos lendo. Ao ver seus filmes não me divirto apenas, penso; não sou entretido, sinto. Ele me emociona sem apelar e sem abrir mão de discussões de altíssimo nível - estéticas (há muita metalinguagem no seu cinema) e filosóficas - Almodóvar consegue ousar passando ao largo de polêmicas; não perde o tom.

Marco, um dos protagonistas de Fale com Ela, sempre chora ao presenciar algo bonito por não poder compartilhar aquele momento com a ex-mulher. Quer algo mais anticlichê para falar de saudade? Almodóvar também escreve diálogos como poucos. E ele não tem pressa, apesar de ser muito lembrado pelo frenesi presente especialmente em seus primeiros filmes. Ele nos transforma em voyeurs de detalhes, como só alguém que gosta  muito de gente é capaz de fazer. Processos rotineiros são mostrados em seus mínimos detalhes e praticamente em tempo real - uma toureira se vestindo, enfermeiros fazendo a higiene da paciente em coma. Como nas descrições dos melhores romances realistas.

9.4.08

Tirando do sério

Não vou me demorar recomendando o CQC – Custe o Que Custar, que estreou há algumas semanas na Band, até porque o projeto, encabeçado por Marcelo "Ernesto Varela" Tas caiu na boca do povo, rendeu alguns hits no YouTube e até elogiado na Veja...
Só digo que o programa é bom e que vocês deveriam assistir, pelo menos uma vez. Passa nas segundas (espertamente começa assim que acaba a novela das 8 - da Globo) e rola um compacto às quartas, após o futebol.
No programa desta semana comecei a perceber os primeiros problemas, um pouco pela produção já demonstrar falta de fôlego e também pelo fato de a edição gaiata e frenética não me hipnotizar mais com a mesma eficácia.
A forma e o método de abordar dos repórteres-humoristas, além da já citada edição, fazem o telespectador menos atento não reparar na fragilidade da tese que eles queiram defender.
Nesta última edição, um deles acompanhou Silvio Pereira no que deveria ser um dia de trabalho comunitário a ser prestado pelo ex-secretário do PT, aquele que ganhou um jipe importado. A "matéria", analisando friamente, consistiu em mostrar o repórter seguindo o cara de carro e a sua determinação em presenteá-lo com um jipe de brinquedo. Não há como saber com certeza se a pena foi cumprida ou se foi mesmo burlada, como a edição deu a entender.
Quando é menos despretensioso, a atração rende momentos absurdamente engraçados. Assim como o Pânico, eles extraem situações cômicas botando celebridades em situações inesperadas e algumas vezes constrangedoras. Pra mim o melhor quadro é o "Repórter inexperiente", em que o sujeito se passa por um jornalista de TV do interior, em início de carreira, testando a paciência dos entrevistados famosos, que vão de Gretchen a Roberto Cabrini, passando por Padre Marcelo.
CQC é ainda prestação de serviço. Denuncia e cobra solução para os problemas nos serviços públicos. Cabe à audiência julgar se isso vai resultar em melhorias na prática ou se não passa de um artifício sensacionalista.
O programa é inovador, ágil e conta com um elenco na média talentoso, sem dúvida. Entretém e faz rir. É bem mais do que se poderia esperar da Band. Mas aquilo não pode (ou pelo menos não deveria) ser considerado jornalismo. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

6.12.07

Surf com cérebro

A briga dos canais abertos agora à noite foi feia. A Globo apostou em Closer, A Record exibiu Crash, enquanto a Band jogou as fichas no documentário Surf Adventures. Tudo praticamente no mesmo horário. Optei por este último, primeiro porque ainda não o tinha visto e segundo porque tanto Closer quanto Crash não me despertam vontade de rever. E não é todo dia que temos a oportunidade de assistir um filme nacional no horário nobre de uma TV aberta.
E não é que o filme é bom? O documentário roda o mundo, mostrando tanto paisagens quanto tubos maravilhosos. Quando bem filmados, poucas coisas são tão bonitas quanto surfistas deslizando em ondas de 15 metros. Destaque para a trilha sonora. A Raimundos, Charlie Brown e o Rappa se juntam Cássia Eller, Jorge Ben e até Mutantes!
Quando o filme passou no cinema, eu nem dei bola. Puro preconceito. Surf Adventures é irado.