Não sei se já escrevi aqui, mas futebol e cinema são duas coisas que casam muito bem. "Soberano", filme sobre os seis títulos brasileiros do São Paulo, é minha segunda experiência com futebol no cinema, o que é melhor ainda ("Boleiros", de Ugo Giorgetti, por exemplo, é ótimo, mas eu não vi em tela grande). Bem que podiam transmitir jogos ao vivo nos cinemas, como já fazem com shows de Rock. Eu iria fácil.
Na minha sessão, havia cerca de duas pessoas para cada título do São Paulo, ou seja, umas doze. Entre eles, um pai doutrinando o filho, explicando coisas como "esse é o Telê, ele já morreu..."
O melhor do documentário é a vibe Canal 100, com as imagens e os aúdios - locuções de rádio de Fiori Gigliotti, Osmar Santos e outros monstros - de arquivo dos primeiros triunfos tricolores, em 1978 e 1986.
Depois fica mais chato, e a culpa nem é dos diretores/roteiristas, coitados, mas sim do regulamento, que criou os pontos corridos e decepou 96% da emoção dos campeonatos brasileiros. Linear, o clímax de Soberano é no início, com as sensacionais decisões por pênaltis contra Atlético Mineiro e Guarani. O resto é encheção de linguiça e jogo de Ceni. Mas mesmo assim vale a pena.
24.9.10
22.8.10
Cidade de Deus II?
400 contra 1 é bom entretenimento, mas têm vários problemas. O elenco é irregular. O roteiro, confuso, e com uma personagem (a da advogada) totalmente dispensável. No fato de só mostrar o lado de uma das facções dos presos da Ilha Grande durante o regime militar eu não vou me meter, já que o longa é baseado no livro autobiográfico do fundador do Comando Vermelho.
Mas só explicando pra quem não viu nem sabe do que se trata, o filme aborda o cotidiano do presídio conhecido como "Caldeirão do Diabo", habitado por pelo menos quatro grupos que se comiam lá dentro e deram origem ao famoso grupo organizado. O núcleo original do Comando era uma espécie de classe média na Ilha Grande. As atividade do bando fora das grades, que ao menos no filme se resumem a sequestros, bem como sua "ética", também são postas em relevo, naquele esquema de roteiro não-linear, como não podia deixar de ser...
As cenas de impacto não têm impacto. A violência chega mais perto de fazer rir do que chocar, como é o caso de uma sequência no fim do filme, protagonizada por um coadjuvante e que inspirou o titulo do filme (e do livro).
Uma montagem infeliz, com planos curtos demais, que não dá respiro entre um assassinato a facadas (antecedido por um estupro) e uma alegre pelada entre os presos. Só pra ficar num exemplo.
Outro filme que aborda o mesmo tema é "Quase dois irmãos", de Lúcia Murat, com personagens fictícios e que faz uma ponte com os dias de hoje, os reflexos da violência não poupando classe social. Luiz Melodia faz uma ponta.
Mudando de pau pra cacete,
o diferencial de Misto Quente, de Bukowski, é ele falar da adolescência com os valores da adolescência, ou seja, valores estúpidos. Se não fosse assim soaria moralista. É preciso coragem pra escrever assim. Não é livro pra menininhas.
Mas só explicando pra quem não viu nem sabe do que se trata, o filme aborda o cotidiano do presídio conhecido como "Caldeirão do Diabo", habitado por pelo menos quatro grupos que se comiam lá dentro e deram origem ao famoso grupo organizado. O núcleo original do Comando era uma espécie de classe média na Ilha Grande. As atividade do bando fora das grades, que ao menos no filme se resumem a sequestros, bem como sua "ética", também são postas em relevo, naquele esquema de roteiro não-linear, como não podia deixar de ser...
As cenas de impacto não têm impacto. A violência chega mais perto de fazer rir do que chocar, como é o caso de uma sequência no fim do filme, protagonizada por um coadjuvante e que inspirou o titulo do filme (e do livro).
Uma montagem infeliz, com planos curtos demais, que não dá respiro entre um assassinato a facadas (antecedido por um estupro) e uma alegre pelada entre os presos. Só pra ficar num exemplo.
Outro filme que aborda o mesmo tema é "Quase dois irmãos", de Lúcia Murat, com personagens fictícios e que faz uma ponte com os dias de hoje, os reflexos da violência não poupando classe social. Luiz Melodia faz uma ponta.
Mudando de pau pra cacete,
o diferencial de Misto Quente, de Bukowski, é ele falar da adolescência com os valores da adolescência, ou seja, valores estúpidos. Se não fosse assim soaria moralista. É preciso coragem pra escrever assim. Não é livro pra menininhas.
6.3.10
11.2.10
Foi apenas um sonho
A impressão que fica é que Di Caprio e Winslet se meteram numa roubada, já que sao excelentes atores. O dilema Viajar Vs. Manter uma vida burguesa não sustenta todo o filme (apenas ajuda a dar sentido a um conflito - esse sim - interessante que rola no final). Falso profundo e chato. É pretensioso até no nome - essa coisa de rua com duplo sentido já tá bem batidinho.
Amantes
Joaquin Phoenix está perfeito; na verdade o personagem já é otimo e ele o melhora. O realismo das relações melhoras lembra 500 dias com ela. Mas as semelhanças param por aí. Amantes não é pop nem engraçadinho. E o final não é exatamente otimista, mas pragmático.
Jean Charles
Gosto da pegada documental e do elenco, exceto umas papagaiadas de Luiz Miranda, que não vejo graça. Quando ele fica sério, melhora. Boa surpresa. Esperava menos.
A impressão que fica é que Di Caprio e Winslet se meteram numa roubada, já que sao excelentes atores. O dilema Viajar Vs. Manter uma vida burguesa não sustenta todo o filme (apenas ajuda a dar sentido a um conflito - esse sim - interessante que rola no final). Falso profundo e chato. É pretensioso até no nome - essa coisa de rua com duplo sentido já tá bem batidinho.
Amantes
Joaquin Phoenix está perfeito; na verdade o personagem já é otimo e ele o melhora. O realismo das relações melhoras lembra 500 dias com ela. Mas as semelhanças param por aí. Amantes não é pop nem engraçadinho. E o final não é exatamente otimista, mas pragmático.
Jean Charles
Gosto da pegada documental e do elenco, exceto umas papagaiadas de Luiz Miranda, que não vejo graça. Quando ele fica sério, melhora. Boa surpresa. Esperava menos.
30.12.09
+ pilulas
MILK
Sean Penn e Gus Van Sant na melhor forma. Só podia ser um pouco menos longo.
(500) DIAS COM ELA
Bela comédia que inverte os papeis tradicionalmente aplicados ao homem e a mulher na forma de encarar os relacionamentos. Roteiro inteligente, que conta inclusive com divertidas paródias de gêneros. Um final mais amargo do protagonista provavelmente faria o filme deixar de arrecadar alguns milhões, mas me agradaria deveras. Não quer ser realista e passar a ideia de que se a pessoa amada não te quer, a vida continua? Então sejamos coerentes.
ATIVIDADE PARANORMAL
Tem alguns acertos, lá pelo meio do filme você quase começa a gostar, a atriz é boa, mas confia demais na ingenuidade e benevolência do espectador pra embarcar na verossimilhança da coisa. Falso vídeo amador com cortes e enquadramentos de profissional não dá. Mas o pior vem no final: em uma palavra, rídículo.
P.S. E ainda peguei uma sessão (adivinha, no Tambiá) em que as pessoas conversavam como se estivessem na sala de casa, na sua ou na da sogra. Highlights: dois emos comentando ALTO o filme todo e uma mulher que se arrependeu de estar ali quando descobriu que o filme era legendado.
Sean Penn e Gus Van Sant na melhor forma. Só podia ser um pouco menos longo.
(500) DIAS COM ELA
Bela comédia que inverte os papeis tradicionalmente aplicados ao homem e a mulher na forma de encarar os relacionamentos. Roteiro inteligente, que conta inclusive com divertidas paródias de gêneros. Um final mais amargo do protagonista provavelmente faria o filme deixar de arrecadar alguns milhões, mas me agradaria deveras. Não quer ser realista e passar a ideia de que se a pessoa amada não te quer, a vida continua? Então sejamos coerentes.
ATIVIDADE PARANORMAL
Tem alguns acertos, lá pelo meio do filme você quase começa a gostar, a atriz é boa, mas confia demais na ingenuidade e benevolência do espectador pra embarcar na verossimilhança da coisa. Falso vídeo amador com cortes e enquadramentos de profissional não dá. Mas o pior vem no final: em uma palavra, rídículo.
P.S. E ainda peguei uma sessão (adivinha, no Tambiá) em que as pessoas conversavam como se estivessem na sala de casa, na sua ou na da sogra. Highlights: dois emos comentando ALTO o filme todo e uma mulher que se arrependeu de estar ali quando descobriu que o filme era legendado.
12.12.09
BUDAPESTE
Antes de falar de Budapeste quero deixar logo claro que não li o livro de Chico Buarque ao escrever essas mal-traçadas linhas.
Então vamos lá. O filme é uma boa propaganda do romance. Pelos off do protagonista – o ghostwriter José Costa - a narrativa parece ter muita força pelas experiências que o autor faz com a palavra, o que evidentemente não pode ser alcançado em outro suporte. Walter Carvalho tenta compensar utilizando o que o cinema tem a ser favor, ou seja, as imagens.
Assim, sabiamente o roteiro inclui sequências visuais bastante sugestivas e autossuficientes. São os casos, por exemplo, das cenas que mostram uma gigantesca estátua de Lênin desmontada, sendo levada em um barco por um Danúbio nada azul, e do "Monumento ao escritor desconhecido", uma figura sombria, que lembra a Morte (além de um misterioso personagem do filme), localizada numa praça da capital húngara. Diga-se de passagem, parece que Chico não sabia da existência dessa estátua quando pariu o livro.
O longa tem sequências bonitas, de fato, mas sofre pra manter a pegada. São 100 minutos que duram uns 150. Fotógrafo de origem, Walter Carvalho consegue mostrar alguma desenvoltura dramatúrgica. O problema é mais de casting. Giovanna Antonelli tem naturalmente algo que cansa e Leonardo Medeiros apenas não faz feio. Já o segundo escalão do elenco parece um bando de amadores, no pior sentido. A atriz húngara é linda, mas fraquinha, fraquinha. Podia ter umas aulas com os pirralhos que fazem o filho dela, em idades diferentes.
Aliás, não sei se isso ocorre no romance – espero que não – Kryska parece ser um mero artifício para manter José Costa em solo húngaro na maior parte da história. A personagem não convence.
É PROIBIDO FUMAR
Fez o rapa em Brasília e andaram dizendo que representa uma evolução em relação a Durval Discos, longa anterior da diretora, Anna Muylaert.
Bom, pra mim "Durval" é que é obra-prima e "É proibido", apenas um bom filme. Divertido, um roteiro acima da média e um Paulo Miklos – esse sim - impressionante.
Glória Pires claramente tá ali só pra atrair financiamento (na fase de produção) e bilheteria (na distribuição). A sensação é a de que a personagem (riquíssima) merecia outra intérprete.
Outro acerto, assim como ocorreu em Durval, é a trilha sonora – excelente, com Jorge bem do começo ao fim.
Antes de falar de Budapeste quero deixar logo claro que não li o livro de Chico Buarque ao escrever essas mal-traçadas linhas.
Então vamos lá. O filme é uma boa propaganda do romance. Pelos off do protagonista – o ghostwriter José Costa - a narrativa parece ter muita força pelas experiências que o autor faz com a palavra, o que evidentemente não pode ser alcançado em outro suporte. Walter Carvalho tenta compensar utilizando o que o cinema tem a ser favor, ou seja, as imagens.
Assim, sabiamente o roteiro inclui sequências visuais bastante sugestivas e autossuficientes. São os casos, por exemplo, das cenas que mostram uma gigantesca estátua de Lênin desmontada, sendo levada em um barco por um Danúbio nada azul, e do "Monumento ao escritor desconhecido", uma figura sombria, que lembra a Morte (além de um misterioso personagem do filme), localizada numa praça da capital húngara. Diga-se de passagem, parece que Chico não sabia da existência dessa estátua quando pariu o livro.
O longa tem sequências bonitas, de fato, mas sofre pra manter a pegada. São 100 minutos que duram uns 150. Fotógrafo de origem, Walter Carvalho consegue mostrar alguma desenvoltura dramatúrgica. O problema é mais de casting. Giovanna Antonelli tem naturalmente algo que cansa e Leonardo Medeiros apenas não faz feio. Já o segundo escalão do elenco parece um bando de amadores, no pior sentido. A atriz húngara é linda, mas fraquinha, fraquinha. Podia ter umas aulas com os pirralhos que fazem o filho dela, em idades diferentes.
Aliás, não sei se isso ocorre no romance – espero que não – Kryska parece ser um mero artifício para manter José Costa em solo húngaro na maior parte da história. A personagem não convence.
É PROIBIDO FUMAR
Fez o rapa em Brasília e andaram dizendo que representa uma evolução em relação a Durval Discos, longa anterior da diretora, Anna Muylaert.
Bom, pra mim "Durval" é que é obra-prima e "É proibido", apenas um bom filme. Divertido, um roteiro acima da média e um Paulo Miklos – esse sim - impressionante.
Glória Pires claramente tá ali só pra atrair financiamento (na fase de produção) e bilheteria (na distribuição). A sensação é a de que a personagem (riquíssima) merecia outra intérprete.
Outro acerto, assim como ocorreu em Durval, é a trilha sonora – excelente, com Jorge bem do começo ao fim.
14.11.09
O teórico húngaro Ference Fehér é o autor de "O romance está morrendo?".
Não estranhe o título apocalíptico, ele não está sozinho.
Muita gente diz que o romance é um gênero superado, moldado em Cervantes, aprimorado entre as revoluções industriais e esgotado em Joyce e Kafka.
Na minha humilíssima opinião, dizer que o romance já deu o que tinha que dar é tão descabido quanto afirmar que a História acabou junto com o Muro de Berlim.
Porém, eu já acho que o conto envelheceu melhor que seu primo maior. Por mais incensados que sejam os contos de Machado de Assis, Lima Barreto, Poe, etc., eu sinto muito mais prazer nas experiências mais modernas de Cortázar, Rubem Fonseca e vários outros.
Aqueles mestres deram o pontapé inicial, mas o conto progrediu muito e soube, sim, se adaptar melhor que o romance, o qual tem como habitat natural a sociedade burguesa do século XIX (nisso concordam 100% dos críticos). E de fato, eu não conheço nenhum romance recente que sirva pra amarrar os sapatos de Dom Casmurro.
Não estranhe o título apocalíptico, ele não está sozinho.
Muita gente diz que o romance é um gênero superado, moldado em Cervantes, aprimorado entre as revoluções industriais e esgotado em Joyce e Kafka.
Na minha humilíssima opinião, dizer que o romance já deu o que tinha que dar é tão descabido quanto afirmar que a História acabou junto com o Muro de Berlim.
Porém, eu já acho que o conto envelheceu melhor que seu primo maior. Por mais incensados que sejam os contos de Machado de Assis, Lima Barreto, Poe, etc., eu sinto muito mais prazer nas experiências mais modernas de Cortázar, Rubem Fonseca e vários outros.
Aqueles mestres deram o pontapé inicial, mas o conto progrediu muito e soube, sim, se adaptar melhor que o romance, o qual tem como habitat natural a sociedade burguesa do século XIX (nisso concordam 100% dos críticos). E de fato, eu não conheço nenhum romance recente que sirva pra amarrar os sapatos de Dom Casmurro.
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