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12.12.09

BUDAPESTE

Antes de falar de Budapeste quero deixar logo claro que não li o livro de Chico Buarque ao escrever essas mal-traçadas linhas.

Então vamos lá. O filme é uma boa propaganda do romance. Pelos off do protagonista – o ghostwriter José Costa - a narrativa parece ter muita força pelas experiências que o autor faz com a palavra, o que evidentemente não pode ser alcançado em outro suporte. Walter Carvalho tenta compensar utilizando o que o cinema tem a ser favor, ou seja, as imagens.

Assim, sabiamente o roteiro inclui sequências visuais bastante sugestivas e autossuficientes. São os casos, por exemplo, das cenas que mostram uma gigantesca estátua de Lênin desmontada, sendo levada em um barco por um Danúbio nada azul, e do "Monumento ao escritor desconhecido", uma figura sombria, que lembra a Morte (além de um misterioso personagem do filme), localizada numa praça da capital húngara. Diga-se de passagem, parece que Chico não sabia da existência dessa estátua quando pariu o livro.

O longa tem sequências bonitas, de fato, mas sofre pra manter a pegada. São 100 minutos que duram uns 150. Fotógrafo de origem, Walter Carvalho consegue mostrar alguma desenvoltura dramatúrgica. O problema é mais de casting. Giovanna Antonelli tem naturalmente algo que cansa e Leonardo Medeiros apenas não faz feio. Já o segundo escalão do elenco parece um bando de amadores, no pior sentido. A atriz húngara é linda, mas fraquinha, fraquinha. Podia ter umas aulas com os pirralhos que fazem o filho dela, em idades diferentes.

Aliás, não sei se isso ocorre no romance – espero que não – Kryska parece ser um mero artifício para manter José Costa em solo húngaro na maior parte da história. A personagem não convence.

É PROIBIDO FUMAR

Fez o rapa em Brasília e andaram dizendo que representa uma evolução em relação a Durval Discos, longa anterior da diretora, Anna Muylaert.

Bom, pra mim "Durval" é que é obra-prima e "É proibido", apenas um bom filme. Divertido, um roteiro acima da média e um Paulo Miklos – esse sim - impressionante.

Glória Pires claramente tá ali só pra atrair financiamento (na fase de produção) e bilheteria (na distribuição). A sensação é a de que a personagem (riquíssima) merecia outra intérprete.

Outro acerto, assim como ocorreu em Durval, é a trilha sonora – excelente, com Jorge bem do começo ao fim.

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